Produtor de Dark Horse nega dados à PF sem ordem dos EUA
Sócio da Go Up nos Estados Unidos rejeitou pedido da Polícia Federal para entregar voluntariamente dados sobre despesas do filme Dark Horse. Ele condiciona qualquer envio a uma ordem de juiz norte-americano.
Michael Brian Davis, sócio nos Estados Unidos da Go Up, produtora do filme Dark Horse, rejeitou o pedido da Polícia Federal para entregar voluntariamente dados sobre as despesas da produção no exterior. A recusa foi encaminhada ao STF pela defesa de Karina Gama, sócia da empresa no Brasil.
Davis condiciona qualquer envio de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa a uma ordem de juiz norte-americano. Para ele, requisições de autoridades brasileiras sobre dados sob jurisdição dos EUA devem passar pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.
Em e-mail enviado a Karina em 2 de setembro, o sócio disse que, por orientação dos advogados da empresa, não enviaria os papéis. E pediu que nenhum documento da companhia seja compartilhado, enviado ou apresentado sem a validação prévia dos advogados nos EUA.
O pedido da PF foi feito em 19 de agosto e incluía cópias de faturas emitidas e recebidas no exterior, contratos com atores estrangeiros, como Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, e relatórios financeiros que comprovem a efetiva realização dos gastos divulgados publicamente de aproximadamente R$ 54,2 milhões em território norte-americano.
O caso veio à tona com documentos que tiveram sigilo levantado nesta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF. Desde julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência em 2026, é formalmente investigado por ter negociado diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, cerca de R$ 122,7 milhões) para a produção do filme baseado na biografia de Jair Bolsonaro (PL).
Documentos da PF e da PGR apontam Flávio como interlocutor direto de Vorcaro na negociação. O material também indica que Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, atuava como gestor do dinheiro levantado para o longa. A PF suspeita que parte dos recursos tenha bancado despesas de Eduardo no exterior.
Após a revelação de parte dos documentos, Flávio pediu o fim da confidencialidade sobre o material. "Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme", afirmou o senador em entrevista nesta sexta.
Flávio já havia prometido uma prestação de contas pública sobre o financiamento, mas passou a terceirizar a divulgação do balanço para a Go Up. A defesa de Karina encaminhou ao STF comprovantes de parte dos gastos, além da recusa de Davis de apresentar os dados da empresa no exterior.